Às vésperas de um novo tempo um menino corre pela colina,
Num tropeço, o chão... Mas ele não desiste, levanta-se e contempla o horizonte.
Com lábios trêmulos aperta seus punhos, respira fundo como se nada pudesse detê-lo.
Segue para a montanha mais, de onde vislumbra um sonho lúcido.
Abaixo avista um vale deserto, enquanto grandes asas pardas rasgam a vista a compor o panorma.
Distante, ao oeste, descobre meu mundo... Beje com nuvens de baunilha
Vê-me sentado na pedra mais alta enquanto se pergunta:
- Quem é este que caminha só e parado fita um único ponto como em um tranze?
Eu, de lá diviso teu mundo...
E me maravilho a videar por horas, borrões de sol vermelhos sob um céu de Monet
Teu mundo é feito de cor, luz e traços perfeitos,
Compendioso universo de amor.
Me curvo ante tal graça
Mas não obstante, se vai toda luz!
Um eclipse solar e começa o tremor...
Contemplo-te então pela primeira vez
Corre assustada para o centro do vale
- Meu Deus! Você é perfeita!
E sem demora eu desço ao seu encontro
Tal como as águias pela montanha, estou apaixonado.
Finalmente nos encontramos
Você, com olhos fixos nos meus tenta revelar-me os segredos.
Porquanto te encontro fraca, perdida e sem vida.
Ai ti me empresto em amor. Dou-te meu abraço, minha força e meu broquel.
Perguntas-me se sou corajoso ao que te respondo com um beijo
- E na hora cessa o tremor -
Nossos mundos se projetam um contra o outro
Enfrentam-se... Misturam-se
Os céus se fundem como numa batalha de cores
E enquanto com os dedos você redesenha os traços do meu rosto
Meus olhos mergulham no mais profundo de sua alma
E tudo ao nosso redor se torna novo
Mais um beijo e no sentir de lábios tão doces
Um profundo silêncio toma meu espírito
Ao voltar nossos olhos para o horizonte o eclipse termina e ressurge a aurora
E então descubro que és minha e que sou teu
Há um novo céu sobre nós, um mundo perfeito.
Nuvens de baunilha sob um céu de monet...
Traços perfeitos dispostos sobre o solo beje.
Nos olhamos e sorrimos em amor!
Acabou a batalha das cores
Você parece ter renascido... Está corada, cheia de vida...
Entre seu olhar alegre e gestos de amor a profecia se completa:
Você trouxe cor ao meu mundo!
Evandro Sudré (1º de junho, outono de 2004)