Um louco
Concebido sob o céu prateado
Enredado pela adocicada fragrância dos melhores frutos
Foste aguardado como os tempos de festa
E em sua chegada, adornado como um nobre.
Cresceu nas terras mais altas
Aprendeu com os mestres
Sondando o mundo ao seu redor – a ponto de tê-lo em suas mãos –
Não conheceu o frio, a escuridão ou o medo.
Sequer padeceu luto.
Louco
Mas ganhou a todos em sua juventude
Venceu, venceu e humilhou.
Não havia medida em seus empenhos
Isento de culpa bem como de justiça
Viveu para edificar seu castelo no cume do monte
E agora contempla o mundo olhando para baixo...
Videando suas posses enquanto eu crescia ao pé do monte
Sustentando-me do que do alto caía
Chorando à margem da pobreza.
Amei o sol, a lua e cada gota de chuva que desceu!
Foi embalado pela sinfonia dos pássaros
E conduzido pela leve brisa conheci o mundo
Este humilde casebre construí com cascalhos
E ainda ouço o brado: -Nada tens! Nada tens!
Ah... Por que não visitas meu mundo?
Venha! Que não sou de briga!
E minha mão se queda sempre estendida
Porquanto minha maior riqueza é o AMOR
E tenho tanto a te dizer.
Louco,
Essa noite pedirão sua alma.
(05-10-2004)