Blog EntryApenas Um MeninoAug 30, '06 4:32 PM
for everyone

Olhar de garoto, coração infantil.
Desenhos de traços ingênuos feito por mãos pequeninas
O som das brincadeiras ecoando num mundo gigante
E o acalanto dos passarinhos no fim da tarde que anunciava sempre:
Chega de brincar!

O poslúdio da minha infância foi assim...
Um dia foi se deitar o sol vermelho
E adornada de luz entre mil estrelinhas a lua veio me falar da vida:
- Menino... Suas mãos cresceram e sua voz mudou,
A sagacidade de seu olhar e a destreza de seus passos te fizeram homem.

Era hora de encontrar um norte
Mas em meio a um mar revolto eu não enxerguei o farol
Então me pus a vagar...
Meus remos se quebraram e me vi a mercê das ondas
Até desembarcar nesta terra de valores confusos

Já não me guiavam os meus sonhos
O som das buzinas não me deixava recordar as cantigas
Não me devolviam o barulho do lápis riscando o papel
De fato me tornara homem, cheio de horários e responsabilidades.
Mas meus valores ainda estavam lá. - Que alegria!

A chuva, a noite, a lua, a brisa gelada de inverno.
Deus pintando o horizonte em tons das cores mais lindas
A dança das sombras no ritmo frenético das cidades
O cantar do vento, o barulho dos pássaros, o cheiro das flores,
Um abraço e o olhar singelo da mulher que eu amo.

Sim... É com ela que eu quero estar...
Nela estará pureza da poesia
E a frescura jovial da primavera
Que encantamento provarei ao vê-la:
Tanto mais pura quanto mais singela, tanto mais bela quanto menos falsa!
....

Este menino cresceu,
E essas mãos que de maneira sublime te tocam, grandes coisas farão para ti.
- Um sonho, uma vida, um lugar, um filho.
Ah... Um filho...
Ao findar da canção de ninar, segurarei suas mãos pequeninas e direi.
É certo grandes coisas irás fazer, mas hoje não - És apenas um menino.

Evandro Sudré, Sozinho, São Bernardo, 8 Junho de 2004


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