A mim foi dado o direito de fingir...
Fingir que este chão em que durmo é macio
E estes jornais meu edredom
Fingir que esta sopa me é dada por amor
E não como um meio de alguém exorcizar sua própria culpa
Fingir que minha voz será ouvida
E que a sociedade de fato se importa
...
A mim foi dado o direito de fingir
Que este texto por ser lido alguma coisa vai mudar
...
É melhor fingir que depois disso tudo não seremos julgados
Pelo justo juiz que tão de perto contempla a nossa indeferença
E. Sudré – Fingindo que adianta, em 19 de fevereiro de 2007